terça-feira, 26 de julho de 2011

Amor =Ritual Fortalece a união e reduz o impacto das crises na vida a dois

Não é preciso uma festa de pompa, mas formalizar o casamento num ritual é importante para marcar a mudança de fase na vida do homem e da mulher. Os detalhes da cerimônia, como a troca de alianças e os juramentos de lealdade, falam ao inconsciente dos noivos reforçam os laços de confiança que os ajudarão a superar as dificuldades da vida de casal.

Apesar da libertação sexual conquistada nas últimas décadas, as cerimônias e as festas de casamento estão cada vez mais sofisticadas e profissionais. Parece que, quanto mais a mulher fica independente, mais ela precisa de um grande ritual para marcar sua grande mudança de papel.
Os rituais são tão importantes que resistem ao tempo e à tecnologia. Cada país, religião, cidade ou comunidade acrescenta suas tradições  mas a cerimônia básica continua a mesma .O ritual transforma a pessoa, é como se fosse um procedimento mágico,que a ajuda a passar de um estágio a outro da vida,e, principalmente ,a se despedir do estagio anterior.Ele produz um processo psíquico que facilita a transição.É um rito de passagem.Todas as sociedades têm os seus – para sair da infância e entrar na juventude, para o ingresso e a saída da escola,para entrada na faculdade e no casamento,entre inúmeros outros.
Muitas vezes é tão grande o entusiasmo com a cerimônia, a festa  e o vestido que o fundamental, que é a relação entre os noivos,fica em segundo plano.É claro que todos querem uma bela festa,e alguns sofrem por não ter meios de fazer o vestido mais caro ou o lugar melhor no salão.Mas o importante é que haja o ritual, que ele fale ao inconsciente dos noivos, com a troca de alianças,em meio a flores,musica,convidados queridos e um bolo.Isso pode ser feito com poucos gastos e muito significado,emoção e alegria.
Quando a noiva sai da casa do pai, e entra com ele de braço na igreja, está se despedindo da condição de menina para assumir a de mulher. A morte da garota, da donzela, é acompanhada por todos. Ela agora cumprirá um novo destino, formará uma nova consciência, de mulher e mãe. Solteira, era filha, cuidada, protegida.
Casada começa um novo ciclo. O ritual a prepara para isso. Um ano antes, em geral na companhia da mãe, ela já começa a escolher o vestido, o templo, a música, a comida e vai se envolvendo na grande mudança de vida.
Para o homem a transformação também não é pequena. A despedida de solteiro marca o fim da vida irresponsável, ele vai ser marido e pai. Ao receber a mulher das mãos do pai dela, este simbolicamente lhe diz: ”Eu lhe entrego minha filha, cuide dela”. É um momento marcante. Cada aspecto da cerimônia tem seu simbolismo. A palavra “aliança” vem de aliar, fazer aliado, um companheiro. Quando ela é colocada por um no dedo do outro, este está dizendo, sem palavras através do símbolo, que se compromete naquela relação. Em espanhol, a palavra para “algema” é esposa, pois tal objeto se assemelha a duas alianças que prendem.
O sacerdote diz as palavras do culto e os noivos as repetem. Eles juram perante a Deus que serão companheiros até que a morte os separe. Sabem que hoje a morte referida pode ser não a de um dos dois, mas a do amor, mas juram e se comprometem da mesma maneira.
Casamento não é só felicidade e alegria. Há momentos difíceis, crises, desilusões. A força do ritual ajuda a vencer essas dificuldades, pois valoriza a confiança e a lealdade. O amor pode acabar, mas a verdade não. O dever de um para com o outro é de ser fiel ao juramento, ao afeto, à aliança que trazem no dedo. Quem ama não trai, age como gostaria que o outro agisse, mesmo que isso doa. É o que se espera de alguém com quem firmamos um compromisso.

*Leniza Castello Branco, psicóloga e analista junguiana na capital paulista, é membro da Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica (SBPA). E-MAIL:  leniza.castello@terra.com.br

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